sexta-feira, 8 de julho de 2011

JONATHAN EDWARDS. UM HOMEM DOMINADO POR DEUS

Grandes homens e grandes mulheres passam pela história e deixam sua marca, não só para as suas respectivas gerações, mas para gerações posteriores. A maioria das pessoas, por falta de oportunidade ou por falta de interesse, passará pela história e será esquecida. Mas sempre haverá os inesquecíveis.

Nas últimas semanas tenho estudado com a igreja a vida de Jonathan Edwards, especialmente as suas firmes resoluções para uma vida cristã agradável a Deus. Tem sido uma experiência por demais edificante, que tem trazido a mim, especialmente, e à igreja também, um despertamento para um viver cristão mais devotado e comprometido com os valores espirituais. Jonathan Edwards é, sem dúvida, um daqueles personagens inesquecíveis da história.

Jonathan Edwards morreu há quase três séculos. No entanto, ele ainda é considerado o mais notável pregador americano de todos os tempos. E ainda há os que o avaliam como um dos maiores teólogos da América. Ele também se sobressaiu como escritor, e alguns de seus livros são considerados como as maiores obras-primas da literatura cristã americana. Seu ministério pastoral rendeu frutos dignos para o reino de Deus e sua trajetória cristã foi um exemplo para as gerações seguintes.

A influência de Jonathan Edwards não se resumiu apenas aos seus dias. No início do século XX, um estudo traçou a descendência de Edwards. Os resultados foram surpreendentes. Cumpriu-se em sua vida o que diz a Abraão em Gênesis 17. 1 a 8. De Jonathan Edwards veio uma grande e ilustre descendência: trezentos pastores, missionários e professores de teologia; cento e vinte professores universitários; cento e dez advogados; mais de sessenta médicos; mais de sessenta autores de bons livros; trinta juízes; catorze reitores de universidades; numerosos gigantes da indústria norte-americana; oitenta detentores de importantes cargos públicos; três prefeitos de grandes cidades; três governadores de estados; três senadores; um capelão do Senado dos Estados Unidos; um fiscal da Fazenda e um vice-presidente dos Estados Unidos.

Não há dúvidas de que Jonathan Edwards foi um gigante da fé cristã, um homem cuja influência ainda hoje é fortemente sentida. Sobre os personagens de Hebreus 11, as Escrituras dão testemunho de que foram “homens dos quais o mundo não era digno” (v. 38). Sobre Jonathan Edwards se disse que era:

“Uma estrela de primeira magnitude na história da Igreja de Deus” – S. M. Houghton.

“A figura de mais influência no cristianismo norte-americano até o século XX – e possivelmente até hoje” – Meic Pearse.

“Edwards tem a capacidade permanente de falar através das eras” – Harry S. Stout.

Por esses fatos fica claro que a vida de Jonathan Edwards é digna de nosso estudo e imitação.

Quando lemos os nomes da galeria de Hebreus 11 podemos perguntar: O que fez daqueles homens e mulheres pessoas tão especiais? Por que foram tão marcantes no seu tempo e deixaram seus nomes gravados na história da humanidade? O capítulo deixa claro que, no caso deles, a fé foi o diferencial.

Algumas perguntas precisam ser respondidas também a respeito de Jonathan Edwards: O que tornou Jonathan Edwards um homem tão notável assim? O que fez com que esse homem fosse usado por Deus de forma tão eficaz?

Família. Jonathan Edwards nasceu em 5 de outubro de 1703, era filho de um pastor, e nasceu em uma família de 11 filhos: dez mulheres e apenas ele de homem. Era uma das mais respeitadas famílias da América colonial. O pai dele foi pastor na mesma igreja durante mais de 60 anos. O avô de Jonathan Edwards, pai de sua mãe, também pastoreou a mesma igreja por quase 60 anos. Foi no seu lar que Jonathan Edwards recebeu as primeiras instruções que o tornariam um crente diferenciado em sua geração.

Preparação. Foi o próprio pai de Jonathan Edwards que lhe preparou para o ministério, ensinando a ele as Escrituras, o Breve Catecismo e a Teologia Reformada. Foi do pai que Jonathan Edwards recebeu, pela primeira vez, uma apresentação a respeito da vida cristã e das responsabilidades do ministério pastoral.

Conversão. Embora tenha recebido grandes influências da família, a experiência de conversão de Edwards só aconteceu aos 17 anos. Ele estava lendo 1 Timóteo 1. 17. Enquanto lia esse texto bíblico ele escreveu: “Veio à minha alma, como se estivesse espalhando-se nela, um senso da glória do Ser Divino; um novo senso, totalmente diferente de qualquer coisa que eu já havia experimentado antes”. Naquele instante, Edwards foi profundamente impactado e seu coração foi tocado com pensamentos arrebatadores sobre Deus.

Pouco antes de concluir seu mestrado Jonathan Edwards foi convidado a trabalhar em uma pequena igreja presbiteriana de Nova Iorque. Ali sentiu o que chamou de “um forte desejo de ser, em tudo, um cristão completo”. Nesse tempo Edwards estava concluindo o seu mestrado. Ele tinha 18 anos.

Edwards passou, então, a pensar cuidadosamente nas prioridades que ele desejava que fossem os princípios orientadores de sua vida. Foi nesta época que ele começou a escrever as suas “Resoluções”. Edwards redigiu 70 propósitos, todos eles destinados a dirigir sua jornada como crente. Essas Resoluções eram as diretrizes, uma espécie de sistema de controle que ele usaria para projetar toda a sua vida como crente, seus relacionamentos, seu falar, seus desejos, suas atividades.

Edwards conseguiu combinar, de modo singular, a piedade espiritual com um gênio intelectual. Tanto sua mente, quanto seu coração estavam engajados na busca por Deus. A respeito dele disse: Martin Lloyd-Jones: “Edwards era dominado por Deus”.

Pode-se dizer que o grande diferencial na vida de Jonathan Edwards era o seu incansável zelo pela glória de Deus. Ele foi reconhecido em seus dias e até os dias de hoje devido a sua “profunda e excepcional espiritualidade”. A sua alma era dedicada à busca da incomparável honra de Deus.

Uma palavra que poderia resumir a vida de Jonathan Edwards seria: RESOLUÇÃO. Ele era resoluto (decidido). Ele era determinado a viver com total fidelidade a Deus, por amor à grandeza de Deus. A respeito dele se diz que “sua visão era singular; sua alma, constante; seu desejo, firme”.

Jonathan Edwards morreu em 22 de março de 1758. Ele era um crente pessoal e singularmente concentrado em um grande objetivo de vida: viver toda a sua vida para a glória de Deus. Ele dedicava-se plenamente a honrar ao Senhor em cada área de sua vida e o fazia com uma firme determinação. Por isso fez tanta diferença em seu tempo e seu testemunho ecoa até aos dias de hoje.

Agnaldo Silva Mariano



* Boa parte deste texto é uma adaptação do excelente livro: "A Firmes Resoluções de Jonathan Edwards", de Steven J. Lawson, publicado pela Editora Fiel.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

DA PREDESTINAÇÃO DE DEUS E DA ELEIÇÃO DOS SANTOS

Deus nos elegeu pela graça. Deus, desde a eternidade, livremente e movido apenas pela sua graça, sem qualquer respeito humano, predestinou ou elegeu os santos que ele quer salvar em Cristo, segundo a palavra do apóstolo: “Ele nos escolheu nele antes da fundação do mundo” (Ef 1.4); e de novo: “... que nos salvou, e nos chamou com santa vocação; não segundo as nossas obras, mas conforme a sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos eternos, e manifestada agora pelo aparecimento de nosso Salvador Cristo Jesus” (2 Tm 1.9-10).

Somos eleitos ou predestinados em Cristo. Portanto, não foi sem medo, embora não por qualquer mérito nosso, mas em Cristo e por causa de Cristo que Deus nos elegeu, para que aqueles que agora se encontram enxertados em Cristo pela fé também sejam eleitos, mas sejam rejeitados aqueles que estão fora de Cristo, segundo a palavra do apóstolo: “Examinai-vos a vós mesmos se realmente estais na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não reconheceis que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados” (2 Co 13.5).

Somos eleitos para um fim determinado. Finalmente, os santos são eleitos em Cristo por Deus para um fim determinado, que o apóstolo esclarece, quando diz: “Ele nos escolheu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo... para o louvor da glória de sua graça” (Ef 1.4-6).

Devemos bem esperar acerca de todos. E, embora Deus conheça os que são seus, e nalgum lugar se faça menção do reduzido número dos eleitos, devemos, contudo, bem esperar acerca de todos, e não julgar apressadamente nenhum homem como rejeitado. São Paulo diz aos filipenses: “Dou graças ao meu Deus por tudo que recordo de vós” (ora, ele fala de toda a Igreja dos filipenses), “pela vossa cooperação no Evangelho... Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até o dia de Cristo Jesus” (Fp 1.3-7).

Sobre se são poucos os eleitos. E, quando perguntaram ao Senhor se eram poucos os que seriam salvos, ele não respondeu que poucos ou muitos seriam salvos ou condenados, mas antes exortou todo homem a “esforçar-se por entrar pela porta estreita” (Lc 13.24). É como se dissesse: “Não vos compete inquirir com muita curiosidade acerca dessas questões, mas antes esforçar-vos por entrar no céu pelo caminho estreito”.

O que deve ser condenado nesse caso. Por isso, não aprovamos as afirmações ímpias de alguns que dizem: “Poucos são os eleitos, e, como eu não sei se estou no número desses poucos, não me privarei dos prazeres”. Outros dizem: “Se sou predestinado ou eleito por Deus, nada me impedirá da salvação, já certamente determinada, seja o que for que eu fizer. Mas, se estou no número dos rejeitados, nenhuma fé ou arrependimento poderá valer-me, visto que a determinação de Deus não pode ser mudada. Portanto, todas as doutrinas e advertências são inúteis”. Mas o ensino do apóstolo contradiz estes homens: “O servo do Senhor deve ser apto para instruir... disciplinando com mansidão os que se opõem, na expectativa de que Deus lhes conceda não só o arrependimento ... livrando-se eles dos laços do diabo, tendo sido feitos cativos por ele, para cumprirem a sua vontade” (2 Tm 2.24-26).

As admoestações não são inúteis pelo fato de a salvação vir da eleição. Santo Agostinho também mostra que devem ser pregadas tanto a graça da livre eleição e predestinação como também as admoestações e doutrinas da salvação (De Bono Perseverantiae, cap. 14 ss),

Se somos eleitos. Condenamos, portanto, aqueles que, fora de Cristo, perguntam se são eleitos, e o que sobre eles decretou Deus antes de toda a eternidade, pois deve ser ouvida a pregação do Evangelho e deve-se crer nele, e deve-se ter como fora de dúvida que, se alguém crê e está em Cristo, é eleito. Com efeito, o Pai nos revelou em Cristo o eterno propósito da sua predestinação, como ainda há pouco expus, pelo que diz o apóstolo, em 2 Tim 1.9-10. Deve-se, pois, ensinar e antes de tudo considerar quão grande amor do Pai para conosco nos foi revelado em Cristo. Devemos ouvir o que o próprio Senhor diariamente nos prega no Evangelho, como ele nos chama e diz: “Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei” (Mt 11.28); “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16). E ainda: “Não é a vontade de vosso Pai celeste que pereça um só destes pequeninos” (Mt 18.14).

Seja, pois, Cristo o espelho, no qual contemplemos a nossa predestinação. Teremos um testemunho bastante claro e seguro de que estamos inscritos no Livro da Vida, se tivermos comunhão com Cristo, e se ele for nosso e nós dele em verdadeira fé.

Tentação sobre a predestinação. Na tentação sobre a predestinação, que é, talvez, mais perigosa do que qualquer outra, console-nos o fato de que as promessas de Deus são universais para os fiéis, pois ele diz: “Pedi, e dar-se-vos-á... Pois todo o que pede recebe” (Lc 11.9-10). É, finalmente, o que pedimos com toda a Igreja de Deus: “Pai nosso que nos céus” (Mt 6.9). Fomos enxertados no corpo de Cristo, pelo batismo, e da sua carne e do seu sangue nos alimentamos freqüentemente em sua Igreja, para a vida eterna. Fortalecidos por essas bênçãos, segundo o preceito de São Paulo recebemos ordem de operar a nossa salvação com temor e tremor.

* Extraído da Segunda Confissão Helvética, elaborada em 1562 por Heinrich Bullinger, publicada em 1566 por Frederico III da Palatina, adotada pelas Igrejas Reformadas da Suíça, França, Escócia, Hungria, Polônia e outras.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

O QUE SE PODE DIZER DE VERDADE A RESPEITO DA MENTIRA?

A mentira é quase tão antiga na história humana quanto a própria humanidade. O primeiro pecado cometido por nossos primeiros pais foi motivado por uma mentira contada por Satanás. O “é certo que não morrereis”, dito pela serpente (Gn 3. 4) foi a mentira suficiente para gerar no coração de Eva o interesse por aquilo que Deus havia proibido que se fizesse. Desde então, a mentira, que já era uma prática caracteristicamente diabólica, se tornou uma técnica tipicamente humana.

O ser humano caído em pecado introduziu a mentira como elemento indispensável em seus relacionamentos. Uma mentira aqui, outra ali e pronto, não dava mais para viver só de verdades. Afinal, como se sair bem em um negócio sem contar uma mentirinha? Como conseguir um bom casamento para a filha sem mentir sobre certos defeitos dela? Como manter um casamento sem mentir sobre a engordadinha da esposa ou sobre o mau hálito do marido? E assim, a humanidade passou a mentir para sobreviver.

Para justificar a necessidade da mentira, foi preciso diferenciar entre mentiras e mentiras. A mentira contada para promover um bem maior passou a ser chamada de “mentira branca”. Por exemplo, uma pessoa que está sendo ameaçada de morte se esconde na sua casa. Aí os assassinos vêm à procura dela e você mente, dizendo que ela não está ali. Para proteger a pessoa você precisa mentir. Foi uma mentira, mas uma “mentira branca”. Foi o expediente usado por Raabe para proteger os espias de Israel (Js 2. 1 a 5).

A mentira contada para prejudicar alguém eu não sei se tem cor, ou se tem um nome específico além de “mentira”; mas ela é sempre condenável. Ela visa tão somente o mal do próximo e está sempre a serviço do seu pai, que é o diabo (Jo 8. 44).

A questão ética em torno da necessidade da mentira em alguns casos extraordinários será sempre alvo de muita discussão. Mentir é sempre errado? Mentir às vezes é certo? A verdade é que a Bíblia condena a mentira em vários lugares (Sl 101. 7; Sl 119. 163; Pv 13. 5; Ef 4. 25; 1 Jo 2. 21; Ap 21. 8). No entanto, ela também não esconde o uso de certas mentiras por parte de servos de Deus, até como mecanismos de promoção de um bem maior. Contudo, o que se pode afirmar com segurança é que a verdade será sempre o padrão, a regra divina.

A grande questão é que, desde que o ser humano conheceu a mentira, nunca mais conseguiu viver sem ela. É uma triste ironia ter que dizer que a mentira, que é um mal, às vezes, serve para o bem. Há até quem diga que não é possível viver somente da verdade, como, por exemplo, o jornalista alemão Jürgen Schmieder que, por conta de uma experiência para o jornal Süddeutsche Zeitung tentou passar quarenta dias sem mentir. O resultado, segundo afirmou após a experiência, foi que quase perdeu o casamento, os amigos e, por pouco, não entrou em depressão. A conclusão dele é de que o ser humano precisa de, pelo menos, 50 mentiras diárias para sobreviver.

Bom, eu creio que a conclusão de Schmieder sobre a mentira só é verdade porque vivemos em um mundo que jaz no pai da mentira (1 Jo 5. 19). Só necessitamos de mentiras em nossos relacionamentos porque não conseguimos compreender plenamente os valores divinos nem vivê-los em sua perfeição neste lado da vida. A mentira só ganhou espaço nas relações humanas porque essas relações estão absolutamente contaminadas pela corrupção dos nossos primeiros pais e, assim, severamente comprometidas pelo pecado em todos os seus níveis e motivações.

Vivemos em um mundo de valores invertidos, que “ao mal chama bem e ao bem, mal; que faz da escuridade luz e da luz, escuridade; que põe o amargo por doce e o doce por amargo”, como disse o profeta (Is 5. 20). Neste mundo oposto aos padrões divinos não é possível viver apenas da verdade, porque ela tem padrões tão elevados que o homem não seria capaz de suportá-los. Falar somente a verdade significaria, por exemplo, não tolerar erros em nome do politicamente correto, não permitir excessos em nome da gentileza da boa-vizinhança, não se conformar com transgressões em nome da simpatia ou da amizade, não justificar falhas em função de benefícios, nem mesmo tolerar pecados em nome do amor.

Olhando por esse lado, parece realmente muito difícil viver em um mundo só com verdades. Mas muito pior do que isto é viver em um mundo em que a mentira ganha justificativas absurdas para parecer necessária ou imprescindível. Muito pior é viver num mundo de mentiras como o de Amim Khader que inventou que estava morto só para promover um quadro em um programa de televisão.

A grande diferença entre a mentira e a verdade é que a mentira serve para justificar qualquer ato, do mais inútil ao mais vil, pois está a serviço da mediocridade de Satanás. A verdade, por sua vez, representa e está a serviço dos elevados propósitos de um Deus absolutamente santo e justo, que não tolera o pecado ainda que maquiado pela pretensa necessidade de mentiras coloridas ou “brancas”. A verdade é sempre o padrão de Deus. Por isso ele enviou seu Filho ao mundo para libertar e santificar o homem através da verdade (Jo 8. 32; Jo 17. 17) e, por fim, recolherá aqueles arrependidos e alforriados do pecado em todas as suas propriedades ao seu reino eterno, onde não há lugar para mentirosos nem mentiras de espécie alguma (Ap 21. 8).

Agnaldo Silva Mariano

sábado, 25 de junho de 2011

UM TIRO NO PÉ DA CAUSA GAY

O falecido jornalista Paulo Francis disse certa vez: “A melhor propaganda anticomunista é deixar uma comunista falar”. Esta frase poderia ser usada para se referir à causa gay. Assim, a melhor propaganda anti-causa gay parece ser deixar os homossexuais brigarem por seus direitos. A sociedade começa a se irritar com os exageros dos homossexuais na busca por transformar a sua causa em um interesse de todos e colocar seus direitos acima dos direitos do restante da humanidade. É um verdadeiro tiro no pé da causa gay. Uma ótima manifestação dessa irritação vem do texto do jornalista Ruy Fabiano publicado em O Globo. Leia abaixo o texto na íntegra:

Em torno da causa gay

Por Ruy Fabiano (Jornalista)

Toda a campanha em favor da causa gay, e que orienta a aprovação do projeto de lei 122, em tramitação no Senado, parte de uma mesma premissa: haveria, no Brasil, um surto de homofobia – isto é, hostilidade e ameaça física aos gays.
A premissa não se sustenta estatisticamente. Os números, comparativamente aos casos gerais de homicídios anuais no país – cerca de 50 mil! -, são irrelevantes.

Segundo o Grupo Gay da Bahia, de 1980 a 2009, foram documentados 3.196 homicídios de homossexuais no Brasil, média de 110 por ano.

Mais: não se sabe se essas pessoas foram mortas por essa razão específica ou se o crime se deu entre elas próprias, por razões passionais, ou pelas razões gerais que vitimam os outros 49 mil e tantos infelizes, vítimas do surto de insegurança que abala há décadas o país.

Se a lógica for a dos números, então o que há é o contrário: um surto de heterofobia, já que a quase totalidade dos assassinatos se dá contra pessoas de conduta hetero.

O que se constata é que há duas coisas distintas em pauta, que se confundem propositalmente e geram toda a confusão que envolve o tema.

Uma coisa é o movimento gay, que busca criar espaço político, com suas ONGs e verbas públicas, ocupando áreas de influência, com o objetivo de obter estatuto próprio, como se opção de conduta sexual representasse uma categoria social.

Outra é o homossexualismo propriamente dito, que não acrescenta nem retira direitos de cidadania de ninguém.

Se alguém é agredido ou ameaçado, já há legislação específica para tratar do assunto, independentemente dos motivos alegados pelo agressor. Não seria, pois, necessário criar legislação própria.

Comparar essa questão com o racismo, como tem sido feito, é absolutamente impróprio. Não se escolhe a raça que se tem e ver-se privado de algum direito por essa razão, ou previamente classificado numa categoria humana inferior, é uma barbárie.

Não é o que se dá com o homossexualismo. As condutas sexuais podem, sim, ser objeto de avaliação de ordem moral e existencial, tarefa inerente, por exemplo (mas não apenas), às religiões.

Elas – e segue-as quem quer – avaliam, desde que existem, não apenas condutas sexuais (aí incluída inclusive a dos heterossexuais), mas diversas outras, que envolvem questões como usura, intemperança, promiscuidade, infidelidade, honestidade etc.

E não é um direito apenas delas continuar sua pregação em torno do comportamento moral humano, mas de todos os que, mesmo agnósticos, se ocupam do tema, que é também filosófico, político e existencial.

Assim como o indivíduo, dentro de seu livre arbítrio, tem a liberdade de opções de conduta íntima, há também o direito de que essa prática seja avaliada à luz de outros valores, sem que importe em crime ou discriminação. A filosofia faz isso há milênios.

Crime seria incitar a violência contra aqueles que são objeto dessa crítica. E isso inexiste como fenômeno social no Brasil. Ninguém discute o direito legal de o homossexual exercer sua opção. E a lei lhe garante esse direito, que é exercido amplamente.

O que não é possível é querer dar-lhe dimensão que não tem: de portador de direitos diferenciados, delírio que chega ao extremo de se cogitar da criação de cotas nas empresas, universidades e partidos políticos a quem fez tal opção de vida.

Mesmo a nomenclatura que se pretende estabelecer é falsa. A união de dois homossexuais não cria uma família, entendida esta como uma unidade social estabelecida para gerar descendência e permitir a continuidade da vida humana no planeta.

Casamento é instituição concebida para organizar socialmente, mediante estatuto próprio, com compromissos recíprocos, a geração e criação de filhos.

Como aplicá-lo a outro tipo de união que não possibilita o que está na essência do matrimônio? Que se busque então outro nome, não apenas para evitar confusões conceituais, mas até para que se permita estabelecer uma legislação que garanta direitos e estabeleça deveres específicos às partes.

Há dias, num artigo na Folha de S. Paulo, um líder de uma das muitas ONGs gays do país chegou a afirmar que a heterossexualidade não resultaria da natureza, mas de mero (e, pelo que entendi, nefasto) condicionamento cultural, que começaria já com a criança no ventre materno.

Esqueceu-se de observar que, para que haja uma criança no ventre materno, foi necessária uma relação heterossexual, sem a qual nem ele mesmo, que escrevia o artigo, existiria.

Portanto, a defesa de um direito que não está sendo contestado – a opção pelo homossexualismo – chegou ao paroxismo de questionar a normalidade (e o próprio mérito moral) da relação heterossexual, origem única e insubstituível da vida. Não há dúvida de que está em cena um capítulo psicótico da história.


Publicado em O Globo.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

DAR-VOS-EI PASTORES, NÃO PASTORAS

Neste final de semana tive uma experiência diferente. Fui participar de uma cerimônia de casamento que foi dirigida por uma pastora. Eu havia sido convidado pelo noivo a tomar parte na cerimônia, dando uma pequena palavra antes da tradicional “bênção das alianças”. Aceitei o convite e fiz o que ele me pediu. Minha participação foi curta, mas o suficiente para causar certa estranheza.

Eu nunca havia dividido a direção de uma cerimônia com uma pastora. Confesso que não foi uma experiência das mais agradáveis. Não pela pessoa em si, mas pela posição e pelo título dado a ela. Sinceramente, chamar uma mulher de “pastora” não me parece nada confotável, muito menos aceitável biblicamente.

Deus concedeu diversos dons à igreja. A vocação para o ministério está entre esses dons. Mas não vejo nenhuma possibilidade desse chamado se estender às mulheres. Assim como Jesus não chamou apóstolas entre os doze, a Bíblia não fala de presbíteras, bispas, diaconisas nem pastoras. As referências a essas vocações nas Escrituras sempre estão relacionadas aos homens. Não é preciso muito esforço para perceber que não existiam pastoras nas igrejas do Novo Testamento. Um pouco mais de esforço nos levará a perceber que não há registro de pastoras nas igrejas dos primeiros séculos. E um esforço um pouco maior ainda nos fará descobrir que os reformadores nunca se referiram a pastoras, como se recomendassem ou reconhecessem esse tipo de vocação feminina para o ministério.

Não quero aqui desconsiderar o importante papel da mulher na igreja, e sua valiosa contribuição para o progresso da obra de Deus. Cristo resgatou o valor da mulher na sociedade, e há registros de mulheres valorosas na história bíblica, inclusive na igreja do Novo Testamento. Mas não há pastoras na Bíblia.

Creio que muitas mulheres vêm ocupando um espaço na igreja que não lhes pertence. Seja por negligência dos homens ou por mera voluntariedade tipicamente feminina, a verdade é que essa usurpação é uma desobediência injustificada aos princípios bíblicos. Deus prometeu pastores ao seu rebanho, não pastoras. Não compete a ninguém oferecer à igreja o que o Senhor dela não instituiu. Por mais sincero e piedoso que possa parecer, o ministério feminino ordenado é uma invenção humana, não uma ordenança divina.

Vale à pena conferir o texto: “Ordenação Feminina: O que o Novo Testamento tem a dizer?”, do Rev. Augustus Nicodemus Lopes em Fides Reformata. Acesse o texto AQUI.

Agnaldo Silva Mariano