Grandes homens e grandes mulheres passam pela história e deixam sua marca, não só para as suas respectivas gerações, mas para gerações posteriores. A maioria das pessoas, por falta de oportunidade ou por falta de interesse, passará pela história e será esquecida. Mas sempre haverá os inesquecíveis.
Nas últimas semanas tenho estudado com a igreja a vida de Jonathan Edwards, especialmente as suas firmes resoluções para uma vida cristã agradável a Deus. Tem sido uma experiência por demais edificante, que tem trazido a mim, especialmente, e à igreja também, um despertamento para um viver cristão mais devotado e comprometido com os valores espirituais. Jonathan Edwards é, sem dúvida, um daqueles personagens inesquecíveis da história.
Jonathan Edwards morreu há quase três séculos. No entanto, ele ainda é considerado o mais notável pregador americano de todos os tempos. E ainda há os que o avaliam como um dos maiores teólogos da América. Ele também se sobressaiu como escritor, e alguns de seus livros são considerados como as maiores obras-primas da literatura cristã americana. Seu ministério pastoral rendeu frutos dignos para o reino de Deus e sua trajetória cristã foi um exemplo para as gerações seguintes.
A influência de Jonathan Edwards não se resumiu apenas aos seus dias. No início do século XX, um estudo traçou a descendência de Edwards. Os resultados foram surpreendentes. Cumpriu-se em sua vida o que diz a Abraão em Gênesis 17. 1 a 8. De Jonathan Edwards veio uma grande e ilustre descendência: trezentos pastores, missionários e professores de teologia; cento e vinte professores universitários; cento e dez advogados; mais de sessenta médicos; mais de sessenta autores de bons livros; trinta juízes; catorze reitores de universidades; numerosos gigantes da indústria norte-americana; oitenta detentores de importantes cargos públicos; três prefeitos de grandes cidades; três governadores de estados; três senadores; um capelão do Senado dos Estados Unidos; um fiscal da Fazenda e um vice-presidente dos Estados Unidos.
Não há dúvidas de que Jonathan Edwards foi um gigante da fé cristã, um homem cuja influência ainda hoje é fortemente sentida. Sobre os personagens de Hebreus 11, as Escrituras dão testemunho de que foram “homens dos quais o mundo não era digno” (v. 38). Sobre Jonathan Edwards se disse que era:
• “Uma estrela de primeira magnitude na história da Igreja de Deus” – S. M. Houghton.
• “A figura de mais influência no cristianismo norte-americano até o século XX – e possivelmente até hoje” – Meic Pearse.
• “Edwards tem a capacidade permanente de falar através das eras” – Harry S. Stout.
Por esses fatos fica claro que a vida de Jonathan Edwards é digna de nosso estudo e imitação.
Quando lemos os nomes da galeria de Hebreus 11 podemos perguntar: O que fez daqueles homens e mulheres pessoas tão especiais? Por que foram tão marcantes no seu tempo e deixaram seus nomes gravados na história da humanidade? O capítulo deixa claro que, no caso deles, a fé foi o diferencial.
Algumas perguntas precisam ser respondidas também a respeito de Jonathan Edwards: O que tornou Jonathan Edwards um homem tão notável assim? O que fez com que esse homem fosse usado por Deus de forma tão eficaz?
Família. Jonathan Edwards nasceu em 5 de outubro de 1703, era filho de um pastor, e nasceu em uma família de 11 filhos: dez mulheres e apenas ele de homem. Era uma das mais respeitadas famílias da América colonial. O pai dele foi pastor na mesma igreja durante mais de 60 anos. O avô de Jonathan Edwards, pai de sua mãe, também pastoreou a mesma igreja por quase 60 anos. Foi no seu lar que Jonathan Edwards recebeu as primeiras instruções que o tornariam um crente diferenciado em sua geração.
Preparação. Foi o próprio pai de Jonathan Edwards que lhe preparou para o ministério, ensinando a ele as Escrituras, o Breve Catecismo e a Teologia Reformada. Foi do pai que Jonathan Edwards recebeu, pela primeira vez, uma apresentação a respeito da vida cristã e das responsabilidades do ministério pastoral.
Conversão. Embora tenha recebido grandes influências da família, a experiência de conversão de Edwards só aconteceu aos 17 anos. Ele estava lendo 1 Timóteo 1. 17. Enquanto lia esse texto bíblico ele escreveu: “Veio à minha alma, como se estivesse espalhando-se nela, um senso da glória do Ser Divino; um novo senso, totalmente diferente de qualquer coisa que eu já havia experimentado antes”. Naquele instante, Edwards foi profundamente impactado e seu coração foi tocado com pensamentos arrebatadores sobre Deus.
Pouco antes de concluir seu mestrado Jonathan Edwards foi convidado a trabalhar em uma pequena igreja presbiteriana de Nova Iorque. Ali sentiu o que chamou de “um forte desejo de ser, em tudo, um cristão completo”. Nesse tempo Edwards estava concluindo o seu mestrado. Ele tinha 18 anos.
Edwards passou, então, a pensar cuidadosamente nas prioridades que ele desejava que fossem os princípios orientadores de sua vida. Foi nesta época que ele começou a escrever as suas “Resoluções”. Edwards redigiu 70 propósitos, todos eles destinados a dirigir sua jornada como crente. Essas Resoluções eram as diretrizes, uma espécie de sistema de controle que ele usaria para projetar toda a sua vida como crente, seus relacionamentos, seu falar, seus desejos, suas atividades.
Edwards conseguiu combinar, de modo singular, a piedade espiritual com um gênio intelectual. Tanto sua mente, quanto seu coração estavam engajados na busca por Deus. A respeito dele disse: Martin Lloyd-Jones: “Edwards era dominado por Deus”.
Pode-se dizer que o grande diferencial na vida de Jonathan Edwards era o seu incansável zelo pela glória de Deus. Ele foi reconhecido em seus dias e até os dias de hoje devido a sua “profunda e excepcional espiritualidade”. A sua alma era dedicada à busca da incomparável honra de Deus.
Uma palavra que poderia resumir a vida de Jonathan Edwards seria: RESOLUÇÃO. Ele era resoluto (decidido). Ele era determinado a viver com total fidelidade a Deus, por amor à grandeza de Deus. A respeito dele se diz que “sua visão era singular; sua alma, constante; seu desejo, firme”.
Jonathan Edwards morreu em 22 de março de 1758. Ele era um crente pessoal e singularmente concentrado em um grande objetivo de vida: viver toda a sua vida para a glória de Deus. Ele dedicava-se plenamente a honrar ao Senhor em cada área de sua vida e o fazia com uma firme determinação. Por isso fez tanta diferença em seu tempo e seu testemunho ecoa até aos dias de hoje.
Agnaldo Silva Mariano
* Boa parte deste texto é uma adaptação do excelente livro: "A Firmes Resoluções de Jonathan Edwards", de Steven J. Lawson, publicado pela Editora Fiel.
* Boa parte deste texto é uma adaptação do excelente livro: "A Firmes Resoluções de Jonathan Edwards", de Steven J. Lawson, publicado pela Editora Fiel.