quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

QUE PROBLEMA HÁ SE AS IGREJAS EVANGÉLICAS CANTAREM MÚSICAS CATÓLICAS?

Escrevi recentemente um texto neste blog no qual expus minha opinião contrária quanto à aproximação do cantor André Valadão com a banda católica Rosa de Saron. Embora haja quem considere aquela situação uma grande dádiva de unidade, tenho muitas razões para continuar afirmando que aquela estratégia não passa de ecumenismo barato que em nada contribui para o Evangelho. Mas o tema da aproximação entre católicos e evangélicos em relação à música é recorrente, e parece tornar-se cada vez mais provocante.

Os católicos, assim como os evangélicos, sempre cantaram. Nunca houve um período em que o catolicismo não se utilizasse da música como instrumento de proclamação da sua fé. O que ocorre é que, com o fortalecimento do movimento de renovação carismática ocorrido no Catolicismo após o Concílio Vaticano II, inaugurou-se uma nova fase da música católica. A chamada “música católica popular”, surgida por volta da década de 60, veio como uma espécie de defesa, e, ao mesmo tempo, de “contra-ataque” do catolicismo contra a força protestante na utilização do recurso musical como meio de propagação de sua mensagem. Deste período vem a utilização de instrumentos populares e de uma linguagem mais acessível e emotiva nas canções, limitando o uso da formalidade, não só dos instrumentos clássicos, mas também do palavreado tradicional.

Um dos precursores desse movimento foi o Padre Zezinho, que por um longo tempo foi o único cantor de grande expressão no catolicismo. Na década de 80 o avanço de uma musicalidade mais popular dentro do Catolicismo deu-se, principalmente, através da Comunidade Canção Nova, que passou a produzir suas próprias canções e a inserir, no repertório católico, músicas produzidas e cantadas pelos evangélicos.

A grande revolução da música católica popular ocorreu em meados da década de 90, com o surgimento da banda Vida Reluz, da Banda Canção Nova e o grande crescimento de gravações musicais de padres populares como Marcelo Rossi e Antônio Maria. Hoje destacam-se nomes na música católica como Dunga, da Comunidade Canção Nova, Anjos de Resgate, Padre Fábio de Melo e Rosa de Saróm, entre outros.

As músicas produzidas por esse segmento do Catolicismo têm repercutido não apenas no seu contexto original, mas tem chegado às residências e igrejas evangélicas, produzindo, em alguns desses espaços, grande discussão a respeito de ser lícito ou não os evangélicos cantarem músicas católicas em seus cultos.

O meu problema com as músicas católicas está na ideologia que as originou. Acredito que a música é um poderoso instrumento para qualquer segmento religioso expressar a sua ideologia e atrair a atenção; afinal, a música cativa e, muitas vezes, é o veículo mais fácil para se chegar às massas e convencê-las ou, no mínimo, gerar interesse pelo que aquele segmento prega. Os cantores católicos populares usam a música para expressar a sua fé católica. Eles não deixaram de ser católicos, nem de crer e defender os dogmas da sua religião que, diga-se de passagem, na maioria dos casos ferem absurdamente o conteúdo da fé genuinamente bíblica. Aliás, alguns desses dogmas estão lá; ainda que sutilmente, mas estão. Por exemplo, no mesmo CD em que o Rosa de Saron canta: “Mesmo na tempestade, mesmo que se agite o mar, te louvo, te louvo de verdade”, há uma canção que diz: “Não chore, linda menina, mas clame sem cessar, Ave, Ave, Ave Maria”. A melodia e as letras das músicas simplesmente camuflam aquilo que está no coração católico dos cantores. Além do mais, uma vez que essas canções foram produzidas, gravadas e divulgadas por bandas reconhecidamente católicas, elas representam o segmento no qual foram geradas; portanto, quando os evangélicos as cantam em seus cultos, automaticamente faz-se uma associação com catolicismo, o que, em muitos casos, gera uma idéia de que não há nada que faça distinção entre catolicismo e o protestantismo. Neste caso, o problema, em minha opinião, está nessa associação, que pode causar confusão na mente de alguém que, estando no romanismo, não perceba as diferenças e acredite que está tudo bem com o seu catolicismo.

Infelizmente, muitas pessoas acreditam que não devemos ressaltar as diferenças entre o catolicismo e a fé protestante, por isso buscam no repertório católico, novas opções de “louvor” para suas igrejas. Mas eu acredito que, em tempos como os nossos, as diferenças entre esses segmentos precisam ser evidenciadas, para que cada um busque apresentar suas razões de fé e deixar evidente a sua identidade. Não vejo nenhum benefício no sincretismo religioso, nem no ecumenismo, ainda que ele pareça belo e piedoso.

Minha opinião é de que nem tudo que fala de Deus realmente vem de Deus. Jesus disse: “Nem todo o que me diz: Senhor! Senhor! entrará no reino dos céus” (Mt 7. 21). O diabo também chamou Jesus de “Filho do Deus Altíssimo” (Mc 5. 7). Nem tudo que tem aparência de piedade é, de fato, agradável a Deus, pois, no fim, nega o seu poder (2 Tm 3. 5). O povo de Israel, por se aproximar dos cultos falsos, desconsiderando as diferenças que lhe afastavam deles, abandonou o verdadeiro culto a Deus e embrenhou-se num paganismo que culminou por destruir a nação. Incorporar elementos contaminados pela idolatria no culto a Deus sempre trouxe grandes prejuízos ao povo de Deus, nunca a bênção.

Acredito que os evangélicos podem louvar a Deus sem precisar recorrer ao que os católicos produzem debaixo de suas crenças idólatras. Ainda que algumas dessas canções falem daquilo que nós também cremos, não há razão para nos associarmos a uma fé que nega alguns princípios básicos da fé bíblica. Sou contra qualquer tipo de aproximação com o catolicismo romano, como sou contra qualquer aproximação com qualquer religião ou crença que negue a centralidade das Escrituras e o senhorio de Cristo. Assim como não justifica cantar músicas espíritas nos cultos evangélicos, embora algumas delas falem de Jesus ou de Deus, não justifica cantar músicas que venham do catolicismo. Como já havia afirmado aqui mesmo neste blog, creio que as diferenças que nos separam do catolicismo são maiores que qualquer aparência que, supostamente, nos une. Não há razão para sermos associados ao catolicismo romano se ele insiste em não voltar às Escrituras.

O grande problema é que a maioria das igrejas evangélicas prefere copiar o modismo em matéria de música do que voltar-se para a Bíblia e produzir seus cânticos baseados nos ensinamentos revelados por Deus. Preferem copiar o que todo mundo está fazendo sem obedecer critérios elementares como o bom senso e a verdade. Em muitos casos, não importa se é verdade ou não o que se está cantando; o importante é se está na moda. São critérios assim que permitem às igrejas evangélicas cantar aquilo que, muitas vezes, nega a sua própria fé. E é por isso que o catolicismo romano tem feito tanto sucesso atualmente no meio evangélico.

10 comentários:

Fábio disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Fábio disse...

Bem, vc entrou num assunto que eu já havia pensado antes que é na utilização de músicas católicas e evangélicas em cultos (evangélico) e missas (católica). Infelizmente há algumas diferenças nessas duas denominações cristãs que acaba formando um preconceito quase que explícito que é de uma se colocar numa condição melhor do que a outra de tal forma que começa a surgir boatos entre elas dizendo que uma é idólatra e a outra não, que uma tem mais músicas bonitas e que outra tem menos. Dessa forma fica cada vez mais complicada a interação entre essas igrejas que falam da mesma trindade santa que é O Pai, O Filho e O Espírito Santo, enquanto que as outras religiões ficam de camarote assistindo as nossas desavenças. Assim como tem evangélico gostando de músicas católicas, têm católicos gostando de músicas evangélicas. Eu penso no seguinte, os evangélicos foram criados através de uma doutrina que vem se evoluindo com o passar do tempo assim como a igreja católica romana que também foi criada através de doutrinas que também vem se evoluindo com o passar do tempo. Na história todas as duas passaram por dificuldades e ainda hoje elas estão de pé, como sinal de Deus, em que Ele diz que as portas do inferno não prevaleceram sobre a sua igreja, que somos nós cristãos, mais mesmo assim existem críticas entre as igrejas cristãs. Já que vai ser difícil entrar em consenso essas igrejas, por experiência própria, a não ser com a intervenção de Deus, o melhor e que cada um siga a sua religião, se um dia se interessar em conhecer alguma igreja, a melhor coisa é ir pessoalmente à igreja e procurar alguém qualificado para responder as suas perguntas a fim de conhecê-la, melhor do que escutar da boca de quem não é ou já foi dessa igreja, pois coisa boa nunca vai ser dita ou pior, quando há criação de boatos. Alguém já parou pra perguntar por que, que a igreja batista é contra as idéias da igreja presbiteriana que é contra as idéias das assembléias que é contra as idéias da igreja católica e vice-versa. Já que infelizmente essas diferenças foram bem difundidas no cristianismo, eu apoio o Agnaldo na questão de que cada igreja tem as suas músicas, não pela questão abordada de que uma cante de um jeito manipulador ou influenciador e que a outra não. Em afirmação que tanto as igrejas evangélicas como as católicas tem um repertório rico em músicas de louvor, adoração e litúrgicas que podem ser bem empregadas para celebrar um bom culto (com músicas evangélicas) ou uma boa missa (com músicas católicas), cada uma com o seu modo de adorar a Deus, afinal somos todos cristãos.

rcc disse...

li sua materia e achei interessante.somos uma familia de 14 irmãos,católicos e evangélicos.vivemos na familia o ecumenismo ,todos são músiccos cristãos(católicos e evangélicos).meus pais nos ensinaram a viveer a unidade na diversidade.por isso tomei a liberdade de te escrever.
quando falamos de música(louvor)falamos da maior expressão de gratidão ao Senhor Deus.
seus comentários mostram uma radicalidade contra a igreja católica,mas quando agimos assim esquecemos de olhar ao nosso redor.
quantos cantores gospel já fizeram e fazem plágio de música mundana e colocam letra que falam de Deus?
porque regis danesi permitiu que sua música virasse pagode e fosse cantada por um grupo que só fala de traição e coisas contra Deus?
porque nos bastidores dos eventos e shows artistas católicos e evangélicos são amigos e eles mesmo não brigam entre sí?
porque os artistas evangélicos adoram copiar modas dos estados unidos?porque a banda catedral quando foi gravar numa gravadora secular foi condenada e hoje ana paula,andre valadão e tantos outros artistas gravam pela gravadora da globo?
porque vcs não aproveitam e condenam o que está fazendo a igreja universal,usando uma tv que é paga com altos dízimos e ofertas para colocar propaganda de cerveja,para colocar novelas com temas mundanos,para colocar programas de mulher quase nuas?
para colocar apresentadores que não são cristãos?
sabe meu querido irmão,esses são alguns questionamentos que eu faço e aqui não vou usar o nome de Jesus não,vou usar meu nome mesmo,porque muitos que querem falar tem vergonha e colocam o nome de jesus.
o que posso dizer é que a música sacra tem um grande poder,agora quanto a usar as mesmas ou não e o catolico nao poder cantar musica evangélica e vice-versa-isso é opinião de cada um.
o que tenho certeza é que Jesus disse:Pedro,tú es pedra e as portas do inferno não prevalerão contra a igreja de cristo.
no mais fique com Deus e continue escrevendo,que o Espirito Santo te dê cada dia mais sabedoria pra evengelizar.

Anônimo disse...

Surgiram varias igrejas evangelicas com costumes diferentes,e muitos artistas e cantores que foram reconhecidos no meio secular,o que eles fazem ou decidem não quer dizer que todos evangelicos estão de acordo sou evangelica desde criança de uma igreja simples e muita coisa que vejo acontecer foge dos conceitos cristaos,se uma emissira que se diz evangelica toma uma atidude de fazer coisas que consideramos errado,toda massa de evangelico não deve responder por isso,se regis,andre,ana paula querem gravar seus hinos assim é decisão deles,não da igreja evangelica eles respondem por eles mesmos,achei interessante a gravadora da globo reconhecer a musica evangelica,ha alguns anos atras as pessoas tinham preconceito sim com esse tipo de musica e muitas das vezes nem conheciam,acho que o importante e divulgarmos o amor de Cristo em todos os meios de comunicação e não importa onde,exaltar a Deus é o que importa seje em musica evangelica ou catolica,com certeza eu acho que os cantores catolicos e bandas deveriam estar mais presentes na midia e em,programas para que pudessem ser mais conhecidas e suas musicas mais divulgadas,os proprios catolicos gostam de ouvir mais musicas seculares,do que musicas da propria igreja eu digo isso pois meus vizinhos catolicos fazem isso,se isso acontecesse a gente ouviria mais pelas ruas e casas musicas de qualid
ade,as familias aprenderiam ouvir musicas que falassem de Deus,hoje a juventude só ouvi essas musicas sem conteudo nenhum e que falam de sexualidade,um lixo .

Anônimo disse...

Sou católica, mas estudo em um colégio Adventista, por isso é claro, respeito todas as outras religiões! Mas quanto ao seu post, discordo da sua perspectiva. Você diz que a ideologia é outra nas canções, mas agora eu te pergunto, o que significa diversas bandas evangélicas por aí usando o nome de Deus em canções com ritmo de funk?!
Eu creio que o mundo religioso está desse jeito hoje por causa dessa indiferença entre cristãos, que em vez de adorar ao Senhor, ficam querendo provar qual a religião perfeita!
E sabe o que eu te respondo?! Que deveríamos nos preocupar mais com o significado da palavras de Cristo em vez de buscar respostas para outras coisas insignificantes. Que o verdadeiro cristão não busca a religião, mais sim a palavra. Pois do que adianta ser católico, adventista, evangélico, batista e "não sei mais o que", se não buscarmos e adorarmos a Deus de coração?! Sendo assim, a música que o cristão resolver cantar é o de menos!

AGNALDO SILVA MARIANO disse...

Meu post se justifica no simples fato de eu não considerar a Igreja Católica Apostólica Romana como uma igreja genuinamente cristã.

Anônimo disse...

Olha amigo sou evangelico e digo que vc foi muito feliz na sua opniao,esse assunto é muito complexo por isso temos que ter sabedoria e jamais julgar as crencas dos outros..

marcos tadeu disse...

Por favor . Cite uma musica católica que os evangélicos cantem em suas igrejas , pois não conheço nenhum.

Cledilson disse...

Quanto ao mais irmao,tudo que e verdadeiro,tudo que e honeato,tudo que e santo,tudo que e justo,tuso que e puro,tudo que e amavel,tudo que e de boa fama,si ha alguma virtude,ai ha algum louvor nisso pensai. Filipenses 4.8
Esse texto explica o que devemos ouvir.nao vejo nem o problema ouvir musica catolica,aquelas que nao idolatra maria essas nao! Temos que reter o que e bom!

Ronivon argolo disse...

Olha, meu ponto de vista é que dez de quando vc cante uma musica católica que fale só de Deus tudo ok porque a adoração é dada a Deus e de todo o seu coração....portanto que vc não cante para ave-Maria tudo bem.....esse é meu ponto de vista