quarta-feira, 6 de outubro de 2010

POLÍTICA NÃO SE DISCUTE? ENTÃO VIVA O TIRIRICA!

Há três coisas que, dizem, não se pode discutir: religião, futebol e política. A razão se dá em função das intermináveis controvérsias que esses assuntos geram, e da quase impossibilidade de se mudar a idéia das pessoas nessas matérias. Assim, é melhor cada um ficar, como se diz na gíria, “na sua”, do que ficar discutindo.

Entretanto, essa me parece uma desculpa esfarrapada de quem tem preguiça de pensar e não quer ter o trabalho de submeter seus argumentos às críticas e defendê-los de maneira convincente. Assim, é melhor não discutir do que correr o risco de ter seus argumentos desmontados.

Discutir futebol pode não mudar nada na vida de ninguém; ainda assim, as “resenhas”, como são chamadas as discussões após as partidas, são preciosos meios de se manter a saudável rivalidade esportiva.

Discutir religião pode parecer dispensável quando se entende que a fé é apenas e tão somente uma questão de escolha individual. Mas quando se entende o verdadeiro sentido da fé e o princípio de que há, sim, uma verdade absoluta, as discussões religiosas podem promover o esclarecimento e o alcance da verdadeira fé.

Discutir política é igualmente necessário, uma vez que pode produzir alertas em relação a ameaças que se despontam no horizonte a cada novo pleito. Pode ser a saída para se evitar que aventureiros e demagogos tomem os atalhos da ignorância alheia para usufruir dos benefícios do poder.

Por falta de discussão a respeito de política o Brasil vem sofrendo com escândalos e jeitinhos corruptos que emperram o progresso do país. A lástima da ignorância política tem conduzido ao poder espertalhões e brincalhões travestidos de administradores públicos. O último produto dessa desdita brasileira atende pelo nome de “Tiririca”.

Tiririca é um personagem criado pelo humorista Francisco Everardo Oliveira Silva que ficou famoso com músicas de gosto duvidoso e acabou chegando à TV, onde participou de programas humorísticos. Na eleição do último domingo Tiririca, que se candidatou pelo Partido Republicano (PR), elegeu-se deputado federal por São Paulo, atingindo mais de 1 milhão e 350 mil votos.

A eleição de Tiririca tem gerado discussões e análises de especialistas das ciências políticas. Todos querem saber como um sujeito que demonstra quase nenhuma capacidade para exercer um cargo legislativo alcança tamanha aprovação na mais importante eleição do sistema político nacional, e no colégio eleitoral mais importante do país.

Uma das explicações pode estar no fato de que muitas pessoas não querem discutir política. Preferem votar no candidato mais engraçado, no mais bonito, no mais famoso, e não naquele de quem se convencem ter as melhores propostas, as melhores idéias, os melhores argumentos e as melhores plataformas. A escolha não se dá pela convicção, mas pelo simples e insignificante critério da afinidade; ou, no caso específico de Tiririca, do deboche.

Há quem diga que o voto dado a Tiririca é um voto de protesto contra os maus políticos. Mas por que não protestar contra os maus políticos elegendo bons políticos? Por que combater esculhambação com esculhambação?

O voto dado ao Tiririca é uma declaração de que muitos brasileiros não discutem política e não se importam com o seu próprio futuro. É a prova de que o analfabetismo político, delatado no brilhante texto de Bertolt Brecht, é uma triste realidade de um país que insiste em não se levar a sério.

O Analfabeto Político

Bertolt Brecht

O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.

O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.

Agnaldo Silva Mariano

3 comentários:

Baluarte literário disse...

Pastor, por estes motivos e outros que sou a favor do voto não obrigatório. Pois tenho certeza q no dia da eleição eles estarão em seus sofás macios assistindo o tiririca, e não votando no tiririca.
Obrigado por apoiar o nosso trabalho.
Abraço.

CARLOS HERRERA disse...

GRAÇA E PAZ
PR.AGNALDO, PARA SURPRESA DO PRÓPRIO TIRIRICA, ELE VAI PERCEBER O QUANTO ELE ERA ARMADOR NA ARTE DE FAZER RIR!

TIRIRICA, VAI PARA A UNIVERSIDADE FEDERAL DE BRASÍLIA. E, OS 4 ANOS SERÃO SUFICIENTE, PARA SAIR UM LEGÍTIMO PALHAÇO FEDERAL.

ÓTIMO BLOG ! FIQUEI MEMBRO, OK

CARLOS HERRERA
http://cativosporcristo.blogspot.com/

CARLOS HERRERA disse...
Este comentário foi removido pelo autor.