sábado, 7 de agosto de 2010

SE ALGUÉM CRITICA É PORQUE ESTÁ INCOMODANDO. OU PORQUE ALGO PODE ESTAR ERRADO.

Criticar alguém pode ser um ato cruel e injusto quando movido apenas pelo puro e simples desejo pessoal de atacar alguém sem maiores ou legítimas razões. A crítica pode ser uma atitude grosseira quando é um fim em si; um gesto reprovável quando é precipitada ou gratuita.

A crítica, entretanto, pode ter o seu valor quando é uma censura a um ato ou pensamento digno de reprovação. Neste caso, a crítica pode beneficiar a quem cometeu um erro, levando a refletir ou repensar a sua postura, ou até mesmo servir de alerta às demais pessoas para não caírem nos mesmos erros ou serem vítimas de enganos.

O meio evangélico parece ser avesso a qualquer tipo de crítica. Principalmente quando se trata de críticas feitas àqueles que se autodenominam “profetas de Deus”. Pessoas assim escondem-se atrás da uma equivocada interpretação bíblica do texto que diz não ser permitido tocar no ungido do Senhor. Aí qualquer um se julga no direito de assumir a posição intocável de “ungido do Senhor” e se coloca acima da possibilidade da crítica. Os excessos estão aí por toda a parte.

Criticar e censurar são atitudes próprias de quem não concorda com certas práticas. Não há nada de errado na crítica, desde que ela tenha um padrão confiável no qual se apóie. A crítica ou censura precisa conduzir a um padrão último e inquestionável. Se o padrão for desrespeitado, qualquer que seja o infrator e quaisquer que sejam as razões, a crítica se fará necessária para que se mantenha e defenda o padrão.

Martinho Lutero foi um crítico. Seu ato de protesto foi um gesto de crítica ao status quo da Igreja medieval. Um ato de protesto baseado no padrão indiscutível da Escritura. Haveria, por certo, quem se julgasse acima de quaisquer críticas na igreja do seu tempo. Mas diante do crivo da Escritura, ninguém permanece intocável se a ela não se render e submeter humildemente.

Assistindo a um programa do Silas Malafaia, observei a maneira como ele explica e se esquiva das críticas recebidas por causa dos seus efusivos apelos em favor de ofertas para o seu ministério: “Se criticam é porque está incomodando”. Logo, conforme o silogismo malafaista, se está incomodando é porque Deus está de acordo. Tenho lá minhas dúvidas a respeito disto. Ou, para ser justo ao texto, tenho lá minhas críticas.

Melhor seria se pudéssemos fazer uma avaliação mais sensata das coisas. Se alguém está criticando a postura assumida pelo senhor Malafaia, pode ser porque tem algo estranho nessa postura; pode ser porque não seja bíblico; pode ser porque não esteja correto. Por que a crítica ao Malafaia se transforma em um atestado de validação ao que ele faz? Se há pessoas criticando – e eu tenho certeza de que há gente muito séria e piedosa fazendo isto – talvez seja hora de repensar a direção, não é verdade? De onde vem tanta certeza de que suas decisões vêm de Deus? De onde vem tanta convicção de que as críticas são atestados de validação de seus atos?

As críticas, senhor Malafaia, podem ser um aviso de Deus também. Várias vezes Deus levantou críticos a fim de alertar seus servos a mudarem seus caminhos. Os que ouviram as críticas e souberam reconhecê-las humildemente foram preservados de grandes tribulações. Os que se mantiveram “intocáveis” às críticas conheceram os tristes resultados da vaidade auto-confiante. Se a crítica fosse um atestado de que as coisas estão corretas a Igreja nunca teria sido reconduzida ao caminho da Escritura e Lutero teria entrado para a história como um tolo. E nós sabemos muito bem quem estava com a razão.

Agnaldo Silva Mariano

5 comentários:

Caleri disse...

Meu amado.

Como é difícil, para muitos, aceitar uma crítica com humildade.
Analisar um comentário, pode firmar ou corrigir nossos passos.

O galardão da humildade e o temor do SENHOR são riquezas, honra e vida. (Pv 22:4)

A Paz!

pastor M. G. Anselmo disse...

Muito bom texto, pastor.
Sensato, equilibrado e fundamentado em princípios bíblicos como o da análise e julgamento do que se ouve e vê. (como bem faziam os bereanos)
A crítica bem administrada e digerida do ponto de vista cristão nos impulsiona para aperfeiçoarmos nossa vida e ministério. Contribui para o crescimento da Igreja e visa sempre a restauração, nunca a acusação ou exclusão.
Lamentavelmente, o pr. mencionado não entende esses princípios e muito menos a real intenção das críticas. Desta forma, segue a passos largos para sua própria ruína, do ponto de vista bíblico.
É triste, mas não surpreendente. A Bíblia nos revela que isso aconteceria a muitos.
Meu desejo é que o Espírito ilume sua mente para retornar ao bom caminho. Enquanto isso as críticas sinceras e encharcadas de amor da Igreja devem persistir, mesmo a contragosto do pr. Malafaia.
Quanto ao incomodo. Alguns se incomodam com o erro, outros com a verdade.
Um grande abraço,
Em Cristo,
Pr. Magdiel G Anselmo.

Ibimon Pereira Morais disse...

Paz do Senhor,

Concordo com o irmão no texto, e vejo que o irmão tem um certa caltela em falar sobre determinados assuntos, muito bom isso e, muito pouco visto nos dias de hoje. Parabéns.

Em Cristo
Ibimon Pereira Morais

EVANDER. MF disse...

Sim Deus levantou criticos mesmo irmão

e digo que a critica contrutiva ( a que exorta ) vem de Deus

porem muita muita gente diz que toda critica e do diabo, lamentavel

vizite meu blog ideologia arte e fé
paz do senhor

http://ideologiaefe.blogspot.com/

Asp. Arthur Corrêa disse...

Eu estava assistindo o programa comercial dele na hora, e quando ele disse isso eu pensei assim:

"Realmente está incomodando. Heresias me incomodam."

BASTA NESSES MERCENÁRIOS !!!