sexta-feira, 2 de março de 2012

CANTANDO COM O ESPÍRITO, COM A MENTE E COM AS ESCRITURAS

A experiência tem demonstrado que nem sempre os autores de cânticos contemporâneos estão preocupados com a verdade em suas composições. Às vezes contentam-se em arranjar uma boa rima, um refrão que “grude” na cabeça dos ouvintes e que garanta boas vendas sem uma boa avaliação criteriosa se aquilo é ou não correto.

Não é muito difícil encontrar equívocos nos cânticos que fazem parte do repertório litúrgico de grande parte de nossas igrejas. Isto se dá, na maioria das vezes, porque não se faz uma análise acurada do que se vai cantar. O que determina a escolha dos cânticos, em geral, é o gosto de quem vai ouvir ou de quem vai tocar, o ritmo ou, simplesmente, a autoria das músicas. Nos cultos a emoção produzida pelos “ministros” de louvor e pelos instrumentos leva as pessoas a fechar os olhos, erguer as mãos, bater palmas, dançar, chorar, tudo no espírito; mas nem sempre as pessoas são levadas a pensar no que estão cantando ou fazendo.

O apóstolo Paulo ensinou: “Cantarei com o espírito, mas também cantarei com a mente” (1 Co 14.15). Para muitas pessoas, tudo que se refere à fé ou à piedade precisa estar absolutamente desvinculado da razão. Não se pode negar que a fé e a piedade, muitas vezes, superam, ultrapassam e transcendem a capacidade racional; mas nem a fé, nem a piedade excluem o raciocínio como elemento indispensável da condição humana. Cantar louvores é um exercício de fé e piedade, algo espiritual, com toda certeza; mas não pode ser algo espiritualizado a ponto de se perder a noção da realidade. Portanto, precisa ser feito também com a mente, ou seja, de maneira que se entenda o que se está fazendo, ou, como diz Calvino, de maneira que “o entendimento também esteja em atividade” ou que “a mente não fique inativa”. Os olhos podem estar fechados, mas a mente não!

Cantar com a mente e com o espírito é realizar o verdadeiro louvor. Significa utilizar todas as faculdades, toda a capacidade de humanidade dada a nós por Deus para o serviço dele. É amar a Deus com toda a intensidade e completude que ele requer dos seres humanos: “Amarás o Senhor teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento” (Mt 22.37).

Os nossos cânticos devem, também, refletir a verdade das Escrituras. Os verdadeiros adoradores, disse Jesus, “adorarão o Pai em espírito e em verdade” (Jo 4.23) e garantiu que a Palavra de Deus é a verdade (Jo 17.17). Não haverá louvor se a verdade for suprimida. Cânticos sem a verdade das Escrituras são meros cânticos, não louvor. Deus não quer apenas cânticos; ele deseja um louvor que seja fiel à sua verdade revelada. Os nossos cânticos, portanto, precisam refletir aquilo que as Escrituras dizem, precisam ser moldados pelas Escrituras, movidos e confirmados pela Palavra de Deus, porque a Palavra de Deus fornece toda a sabedoria de que precisamos (Sl 19.7) e nos revela tudo o que necessitamos saber para agradar a Deus, seja na liturgia do culto, ou na liturgia da vida. Como diz o Rev. Geoffrey Thomas, “As Escrituras produzem a atmosfera e fornecem os temas, as orações, os louvores e a pregação. Dessa forma, possuímos um padrão para conhecer o que é certo e o que é errado em tudo o que é falado e cantado”.

É lamentável que haja composições e compositores cristãos modernos que nem sempre levam em consideração estes princípios. Muitos preferem cantar suas experiências pessoais, modismos ou chavões inventados pelo gospel, que traduzem o pensamento humano e não a verdade divina. É ainda lamentável que nossas igrejas reproduzam sem quaisquer critérios certos cânticos que, se fossem colocados sob o crivo da mente e das Escrituras jamais poderiam ser introduzidos em um ambiente de culto ao Deus Santo. Isto se dá, muitas vezes, porque muitos crentes têm medo, ou mesmo, preguiça de usar a mente para cantar ou, simplesmente, porque lhes falta o conhecimento suficiente das Escrituras.


Agnaldo Silva Mariano

2 comentários:

rcostaalves disse...

a paz, muito bom seu blog,ja seguindo, visite e siga-nos tambem, abrços.
http://rcostaalves.blogspot.com

Anônimo disse...

Verdade !