segunda-feira, 4 de junho de 2012

COMO SERIA O MUNDO SEM O CALVINISMO?


Por Abraham Kuyper

Para provar isto, perguntem-se o que a Europa e a América teriam se tornado, se no século 16 a estrela do Calvinismo não tivesse subitamente nascido no horizonte da Europa Ocidental. Neste caso, a Espanha teria esmagado a Holanda. Na Inglaterra e Escócia, os Stuarts teriam executado seus planos fatais. Na Suíça, o espírito de indiferença teria prosperado. Os primórdios da vida neste novo mundo teriam sido de um caráter completamente diferente. E como seqüência inevitável, a balança do poder na Europa teria retornado a sua primeira posição. O Protestantismo não teria sido capaz de manter-se na política. Nenhuma resistência adicional poderia ter sido oferecida ao poder romanista conservador dos Hapsburgos, dos Bourbons e dos Stuarts; e o livre desenvolvimento das nações, como visto na Europa e América, simplesmente teria sido impedido. Todo o continente americano teria permanecido sujeito à Espanha. A história de ambos os continentes teria se tornado uma história muito triste, e sempre permanece uma questão se o espírito do Ínterim de Leipzig não teria sido bem-sucedido, por via de um protestantismo romanizado, ao reduzir o norte da Europa novamente ao controle da velha hierarquia.

Do livro: "Calvinismo" - Editora Cultura Cristã

sexta-feira, 1 de junho de 2012

O QUE HÁ DE ERRADO COM O PENTECOSTALISMO?


Por Laurence A. Justice

Nós poderíamos mencionar muita coisa que existe de errado com o Pentecostalismo. Poderíamos mencionar a divisão que ele parece sempre trazer a igreja. Poderíamos mencionar a atmosfera de circo criada em cultos de adoração na igreja. Mas, aqui queremos ver somente quatro dos erros desta heresia que é o Pentecostalismo.

Primeiramente o Pentecostalismo busca aplicar ao nosso dia-a-dia aquilo que pertenceu somente aos apóstolos e ao seu tempo. Os Pentecostais ensinam que os dons extraordinários dados pelo Senhor aos apóstolos e a outros no Novo Testamento foram criados para serem atribuídos aos cristãos em todas as épocas.

O propósito dos dons carismáticos era dar autenticidade aos apóstolos e às suas mensagens no princípio do Cristianismo, já que o Novo Testamento não tinha, contudo, sido completado. Deus deu para os apóstolos alguns dons especiais pelos quais eles e as suas mensagens eram aprovadas ou autenticadas como sendo de Deus. No tempo do Novo Testamento, Deus falou através de revelações diretas aos seus apóstolos e profetas. Foram necessários sinais para confirmar que as suas mensagens eram realmente de Deus.

Paulo refere-se a estes dons como sinais de um apóstolo. Em 2 Coríntos 10-13 Paulo está defendendo a sua autoridade de apóstolo contra alguns que evidentemente estavam reivindicando que ele não o era. Em 2 Coríntos 12:12, Paulo diz: “Os sinais do meu apostolado foram manifestados entre vós com toda a paciência, por sinais, prodígios e maravilhas.” Paulo diz aqui: “Eu evidenciei a vós a minha chamada de apóstolo pelos sinais que era suficiente para provar-lhe que sou um verdadeiro apóstolo de Deus.” Paulo reafirma que os sinais e os milagres provavam que ele e a sua mensagem eram de Deus, que eles autenticavam seu ministério como apóstolo. O selo da aprovação de Deus para o ministério dos apóstolos foi a efetuação de milagres, os dons milagrosos ou os sinais de um apóstolo praticados por eles.

Não estando mais os apóstolos em cena, o evangelho foi apresentado para o mundo e o Cânon do Novo Testamento ficou completo e, dessa forma, os dons de sinais especiais acabaram. Hebreus 2:3-4 demonstra claramente que estes dons especiais acabaram. “Como escaparemos nós, se não atentarmos para uma tão grande salvação, a qual, começando a ser anunciada pelo Senhor, foi-nos (os ouvintes) depois confirmada (passado) pelos que a ouviram (os apóstolos); testificando também Deus com eles (os apóstolos, não nós), por sinais, e milagres, e várias maravilhas e dons do Espírito Santo, distribuídos por sua vontade?”

O que está errado com o Pentecostalismo? Em segundo lugar, o Pentecostalismo dá maior ênfase ao Espírito Santo do que ao Senhor Jesus Cristo. A melhor experiência para os Pentecostais é o batismo com o Espírito Santo, pois eles falam muito em ser cheio com o Espírito Santo, os dons do Espírito e ter as suas vidas cheias de bênçãos do Espírito, e para isso procuram que o homem receba o batismo com o Espírito Santo. Esta ênfase é contrária ao que a Bíblia ensina sobre o ministério do Espírito Santo.

De acordo com o Senhor Jesus, em João 16:13-14, o Espírito Santo não procura trazer o homem à consciência do Espírito. Ele os faz conscientes em relação a pessoa de Cristo. “Mas quando vier aquele Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir. Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu, e vo-lo há de anunciar.”

A principal função do Espírito Santo de Deus é glorificar a Cristo e não a si mesmo. Um homem cheio do Espírito fala de Cristo, glorifica a Cristo, dá atenção a Cristo, testemunha de Cristo, para que em todas as coisas Cristo tenha a preeminência.

Em Atos 1:8 o Senhor, ressurreto, ensina-nos o propósito de enviar o Espírito Santo quando diz: “Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria, e até aos confins da terra.” No Pentecostes, quando Pedro encheu-se do Espírito Santo, sobre o que ele pregou? Não foram as bênçãos maravilhosas de uma vida cheia do Espírito! Quem ele glorificou? Não o Espírito Santo. Quando Pedro encheu-se do Espírito no Pentecostes, ele pregou a Cristo! As pessoas cheias do Espírito estão ocupadas com Cristo!

Agora, como nós reconhecemos a presença do Espírito Santo em nossas igrejas hoje, se os dons extraordinários ou carismáticos cessaram? O Espírito Santo, hoje, leva as coisas de Cristo e as mostra aos homens. Ele glorifica a Cristo, e quando o Espírito Santo enche os homens eles passam a louvar e a glorificar a Cristo.

Antes a bênção, agora o Senhor
Antes o sentimento, agora a sua Palavra
Antes os dons que eu quis, agora o próprio Doador
Antes a busca de cura, agora, apenas Cristo

Cristo é o centro da sua vida? Ele será se você for um homem cheio do Espírito.

Um terceiro mal do Pentecostalismo é a freqüente sobreposição da experiência humana à Palavra de Deus por escrito. Para os Pentecostais um modo de se encontrar a verdade é olhar para si mesmo, olhar para dentro de si, olhar para sua própria experiência. “Eu sei que isto é de Deus porque ele me faz sentir muito bem” ou “isto me faz sentir tão correto”, eles dizem freqüentemente.

O padrão para se determinar a verdade na religião deve ser a Bíblia, a Palavra de Deus escrita, em vez de nossas experiências ou as de outros. Deus diz em Isaías 8:20: “A lei e ao testemunho! Se eles não falarem segundo esta palavra, é porque não há luz neles.” Amado leitor, este é o padrão, esta é a regra pela qual a verdade de todas as coisas deve ser medida: a Palavra de Deus!

Freqüentemente, quando as reivindicações dos Pentecostais são questionadas, eles respondem: “Você não sabe por que você não tem consciência de como eu me sinto! Você nunca experimentou o que eu experimentei!” Talvez não, mas o que diz o livro? Muitos dirão: “Eu sei que os dons são para hoje porque eu os tenho experimentado.” Mas se uma experiência não se enquadra com a Palavra de Deus, ela não veio de Deus!

Qualquer experiência que não está em harmonia com a Palavra de Deus não é do Senhor e não importa a natureza espetacular, incomum, impressionante ou comovente que ela possa ter.

Todas as nossas experiências devem ser fundamentadas e enquadradas pela rocha sólida da Palavra de Deus. Uma pessoa nunca deve confiar na sua própria experiência como padrão para determinar a verdade, porque nossos sentimentos mudam e também as pessoas são diferentes e têm sentimentos diferentes sobre cada assunto.

Acaso podíamos conseguir,
Maior segurança do que possuir
As lindas promessas do nosso bom Deus,
Firmadas na Bíblia pra todos os seus

Um quarto ponto que se vê como errado no Pentecostalismo, são as reuniões da igreja, feitas para discutir assuntos não pertencentes à Palavra de Deus. Uma igreja verdadeira de Jesus Cristo se reúne ao redor do púlpito. Ajunta-se para pregar a Palavra de Deus. Os pentecostais, hoje, se reúnem nas igrejas para ouvir e receber revelações especiais, sonhos, falar em línguas e ter experiências, ao invés de pregar a Palavra de Deus. É dedicado mais tempo às curas e experiências do que à declaração do evangelho de Jesus Cristo.

A confraternidade existente entre as pessoas que freqüentam tais igrejas está baseada em experiências que elas têm em comum, não em Jesus Cristo, pela Bíblia. A sua confraternidade não está baseada na doutrina de Deus, mas nos dons e nas experiências que eles podem proporcionar. Os Pentecostais podem ter confraternidade com a maior parte dos extremos liberais ou com os apóstatas que negam os fundamentos da fé e também com os fundamentalistas e os católicos romanos, para isso só importa que todos tenham o batismo com o Espírito Santo.

O Pentecostalismo enfatiza a experiência sobre a doutrina. A coisa mais importante para os Pentecostais é a experiência do batismo com o Espírito e o falar em línguas. A coisa a ser buscada e festejada não é o evangelho glorioso de Jesus Cristo, mas a experiência dos dons.

Publicado originalmente em Monergismo

quinta-feira, 31 de maio de 2012

AS FESTAS JUNINAS E A LIBERDADE CRISTÃ


Por Rev. Misael Nascimento

Um cristão protestante pode participar de festas juninas? Três respostas têm sido dadas a esta pergunta. Primeiro, há os que dizem “sim”, uma vez que entendem as festas juninas como celebrações cristãs. Afirma-se, nesse caso, que estamos diante de festejos ligados a personagens bíblicos tais como João Batista, Pedro e Paulo e isso, por si só, legitima tais festas como integrantes do calendário cristão. Essa é a posição defendida pela Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR).

Outros respondem com um absoluto “não”. Entendem que o modo como o Catolicismo Romano ensina sobre os santos não é bíblico. A Bíblia não prescreve nenhuma festa ligada aos profetas ou apóstolos, muito menos a nenhum ser humano canonizado pela igreja. Não há espaço para a crença em santos mediadores. Segundo as Escrituras “há um só mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem” (1Tm 2.5). Essa é a posição defendida pela maioria dos evangélicos tradicionais.
Uma terceira resposta inicia com um “não”, afirmando que os cristãos protestantes devem afastar-se das comemorações romanistas das festas juninas e, ao mesmo tempo, finaliza com um “sim”, abrindo espaço para a realização de arraiais gospel – festas caipiras evangélicas. Essa posição tem sido defendida por alguns evangélicos.
Aqui é recomendável lembrar as palavras do apóstolo Paulo:
"Portanto, meus amados, fugi da idolatria. Falo como a criteriosos; julgai vós mesmos o que digo. Porventura, o cálice da bênção que abençoamos não é a comunhão do corpo de Cristo? Porque nós, embora muitos, somos unicamente um pão, um só corpo. Considerai o Israel segundo a carne; não é certo que aqueles que se alimentam dos sacrifícios são participantes do altar? Que digo, pois? Que o sacrificado ao ídolo é alguma coisa? Ou que o próprio ídolo tem algum valor? Antes, digo que as coisas que eles sacrificam, é a demônios que as sacrificam e não a Deus; e eu não quero que vos torneis associados aos demônios. Não podeis beber o cálice do Senhor e o cálice dos demônios; não podeis ser participantes da mesa do Senhor e da mesa dos demônios. Ou provocaremos zelos no Senhor? Somos, acaso, mais fortes do que ele?" (1Co 10.14-22).
Um dos fatos a destacar é que, no texto em questão, Paulo trata da participação dos cristãos em refeições realizadas no contexto de rituais pagãos (Bíblia de Estudo de Genebra, 1. ed., 1999, nota 10.14, p. 1357). Sua convicção é que o cristão não deve participar de coisas ligadas à idolatria; tal ligação, em última instância, corresponde a uma “associação” com os demônios. Para o apóstolo, o problema era que os crentes, ao comer alimentos oferecidos aos ídolos, depreciavam sua comunhão com Deus na Santa Ceia, ou seja, agiam de modo inconsistente com a aliança, e, deste modo, provocavam o “zelo” do Senhor (1Co 10.18-22).

Isso pode ser transposto à questão das festas juninas por meio de um argumento de quatro pontos, qual seja:

1.    A veneração aos santos da ICAR, por ferir não apenas a recomendação de 1Timóteo 2.5, mas também Êxodo 20.3-6, é idolatria.
2.    As festas juninas, ligadas à veneração dos santos romanistas, são idólatras.
3.    O cristão, de acordo com 2Coríntios 10.14, deve fugir da idolatria.
4.    Portanto, o cristão deve fugir das festas juninas.

Anteriormente eu entendia que não havia problema em uma criança participar dos festejos juninos de sua escola. Hoje penso que o melhor é os pais explicarem a essa criança as razões pelas quais ela não participará da festa junina. É mais instrutivo, bíblico e edificante.
Mas, o que dizer da “alma caipira” que reside em nós, que nos motiva a acender fogueira, assar mandioca e batata-doce e comer bolo de fubá? Qual o problema, por exemplo, de realizar uma noite caipira ao som de modas de viola e, quem sabe, até brincar inocentemente de quadrilha evangélica? Ou criar uma “Festa dos Estados”, com barracas de comidas típicas ou algo semelhante, quem sabe até como estratégia para atrair visitantes?

Inicialmente, declaro meu respeito aos colegas pastores e irmãos em Cristo que não enxergam problemas na realização desse tipo de atividade. Eu mesmo já acreditei que isso podia ser feito sem prejuízos para o testemunho cristão e fiz isso de muito boa fé, com a alma sincera diante de Deus. No entanto, mudei de posição. Hoje, creio que a produção de versões evangélicasde festas juninas não é recomendável por algumas razões. Primeiro, porque estamos saturados de versões gospel de tudo: Temos uma quase inesgotável lista de práticas e “produtos” gospel. É preciso compreender que não fomos chamados a imitar o mundo e sim a transformá-lo (1Jo 2.15-17).

Em segundo lugar, há outro problema denominado associação. É possível que, ao participar de uma festa junina gospel, sejam feitas associações com o evento original, de origem e significado idolátricos – queiramos ou não, festas juninas estão ligadas às crenças da ICAR. Cristãos sensíveis podem sentir um desconforto inexplicável diante disso. Visitantes interessados na fé protestante exigirão explicações mais detalhadas sobre as razões da realização de tal noite caipira “calvinista”.

Sendo assim, parece-me mais adequado considerar as festas juninas evangélicas entre aquelas coisas que o apóstolo Paulo chama de lícitas, mas inconvenientes e não-edificantes (1Co 10.23). Nessas questão, pensemos primeiramente nos interesses do corpo de Cristo, e não nos nossos (1Co 10.24). Não sou contra comer bolo de milho, ou canjica, ou pé-de-moleque. Gosto de batata-doce assada na brasa e me delicio com um bom curau e uma música caipira de raiz. Desfrutemos dessas coisas, porém, na privacidade de nossos lares ou fora do contexto de festas caipiras nos meses de junho e julho. Não porque tais iguarias sejam pecaminosas em si, mas para evitar associações indesejáveis.

Somos livres para participar de festas juninas? Não. Ao participarmos de tais festas, nos ligamos em idolatria. Devemos realizar eventos caipiras gospel? Devemos participar de tais atividades? Também não. Nesse segundo caso, não porque haja idolatria envolvida, mas porque há o perigo de associações indesejáveis. O ideal é que fortaleçamos nossa identidade cristã, bíblica e protestante, desvinculando-nos de qualquer aparência do mal (1Ts 5.22).

Publicado originalmente em http://www.misaelbn.com.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

MÚSICA GOSPEL: VISÃO DE REINO OU NEGÓCIO?


Li, recentemente, dois textos relacionados à música evangélica no Brasil. Um deles foi publicado pela revista Veja, edição de 23/05/12 e trazia o título: “Deus é pop”. A reportagem de três páginas procurou retratar a mudança pela qual passou a música evangélica nos últimos tempos. De acordo com o texto, a música evangélica, tempos atrás, era assim representada: “Homens de terno alinhadinho e mulheres de saia comprida e cabelo preso, todos com a Bíblia debaixo do braço, cantam barulhentos hinos de louvor com vozes potentes, tão exageradas que até dão a impressão de que Deus é surdo e só atende às preces de quem grita”. Hoje, no entanto, as coisas mudaram. Agora a música evangélica é gospel, e é representada por “astros” e “estrelas nacionais”, num guarda-sol que abriga “os mais variados gêneros: rock, samba, soul, hip-hop e até axé music”.

Ainda, conforme a reportagem assinada por Sérgio Martins, a música gospel é “o segundo gênero mais consumido no país, atrás apenas do sertanejo”. Por tudo isto, muitos, certamente, comemoraram o reconhecimento da grande mídia ao segmento, que hoje tem acesso fácil a programas de televisão, especiais produzidos até pela, antes demonizada, Rede Globo e contratos milionários com grandes gravadoras “seculares”.

Para alcançar tamanho “reconhecimento”, a reportagem destaca que algumas mudanças precisaram ser feitas. Mudaram-se as roupas, os ritmos e até a mensagem. Antes, Deus “parecia ser sempre o Deus implacável do Antigo Testamento”. Agora, nestes tempos de popularidade, “o Deus gospel ficou bem mais camarada”.

O segundo texto sobre música evangélica eu li na versão digital da revista Cristianismo Hoje. Trata-se de uma entrevista com o pastor Paulo Cézar da Silva, líder do Ministério Logos, publicada em dezembro de 2011. A entrevista dada ao jornalista Carlos Fernandes é uma verdadeira aula de bom senso. Questionado sobre o que mudou para melhor e para pior na música evangélica ao longo dos últimos trinta anos, tempo de existência do Logos, Paulo Cézar respondeu: “Para melhor, acho que mudou a qualidade técnica. A evolução dos músicos, dos estúdios, dos instrumentos e do som é perceptível. As chances de alguém gravar e fazer um bom trabalho, hoje, são muito maiores do que antes. O que mudou para pior, com algumas exceções, foi o conteúdo, tanto do que se produz como do objetivo com que se canta”. Para Cézar, na música gospel atual “o mundanismo tomou o lugar da contextualização”, “as letras são escritas de acordo com várias influências”, compositores são levados “a compor o que seus ‘clientes’ gostam, e não o que precisam”, que hoje há muita “ganância por posição, popularidade, fama e dinheiro”, e que quando fica sabendo dos valores cobrados por muitos “artistas gospel” para suas apresentações, sente-se “enojado”. A certa altura da entrevista Paulo Cézar diz: “Vale qualquer coisa, desde que resulte em grana!  Então eu pergunto: Onde está a visão do Reino nesse negócio?”.

Aí está o ponto. Os dois textos apontam numa mesma direção: A música evangélica passou por diversas mudanças ao longo dos últimos tempos. O problema é que cada um deles intepreta essas mudanças de maneiras diferentes. A reportagem de Veja analisa os pontos considerados por muitos, positivos dessas mudanças. A entrevista de Paulo Cézar expõe muitos aspectos negativos. Qual dessas interpretações eu prefiro? É preciso dizer?

Há muito a música evangélica deixou de ser música de adoração para ser música de mercado. Seus principais representantes mudaram da categoria de adoradores para a de “artistas”, “celebridades”, “astros” ou “estrelas”. A música gospel agora é um grande negócio, e não há espaço para visão de Reino em um negócio. Visão de Reino pressupõe voluntariedade, abnegação; negócio requer receita. Visão de Reino abrange absolutos inegociáveis em nome da fé; negócio exige relativizações em função dos lucros. Visão de Reino tem princípios; negócio tem contratos. Visão de Reino cria servos; negócio inventa ídolos. Visão de Reino conclama culto a Deus; negócio agenda shows. Visão de Reino visa adoradores; negócio atrai clientes. Na visão de Reino, como disse Paulo Cézar, “crentes de verdade rendem seus talentos ao Senhor e testemunham com suas vidas o caráter de verdadeiros adoradores”. Nos negócios faz-se como o compositor gospel Anderson Freire, citado na reportagem de Veja: “Minha aliança é com Deus e com os homens”.

Grande parte da música gospel está a serviço de uma indústria de entretenimento e não a serviço da visão de Reino. Ela não representa com tanta exatidão a fé cristã e está muito longe de ser uma expressão genuinamente evangélica; é mais uma expressão do pluralismo pós-moderno, um triste retrato de uma igreja sem identidade bíblica.

Eu creio que a música cristã precisa estar a serviço da adoração a Deus e não de uma indústria. Ela deve expressar a crença do povo de Deus e identificar a fé desse povo, e não agradar a uma plateia ou produzir fãs. A música cristã deve se preocupar em ser bíblica antes de ser contextualizada.

A reportagem de Veja encerra dizendo que, no caso da música evangélica brasileira, “ainda há alguns obstáculos no caminho até os homens: as rádios comerciais em geral ignoram o grosso da produção gospel”. Em sua entrevista, o pastor Paulo César da Silva diz: “Sonho com bons músicos, crentes de verdade, que rendam seus talentos ao Senhor e testemunhem com suas vidas o caráter de verdadeiros adoradores”. A julgar por este sonho do pastor Paulo Cézar o caminho até Deus é bem mais longo.

Agnaldo Silva Mariano

terça-feira, 24 de abril de 2012

"ELES" PODEM TUDO. A DITADURA GAY NO BRASIL



Por Reinaldo Azevedo


O “Fantástico” levou ontem ao ar uma reportagem preconceituosa. Sim, é o “preconceito a favor”. A questão é saber se o “preconceito a favor de uma causa” provoca ou não danos a terceiros. A dúvida é meramente retórica porque a resposta é óbvia. O vídeo com a reportagem está aqui. Eu a reproduzo abaixo (em vermelho). Leiam com atenção. Volto em seguida.

Dois domingos atrás, o Fantástico foi a Santos conhecer um curso que se destina a formar drag queens. Durante a gravação, um aluno se destacou e, quando voltou ao trabalho, o aprendiz de drag teve uma surpresa. E não foi nada agradável. Foi Ailton aparecer no Fantástico na semana passada. “Sou psicólogo, administrador, professor da área de logística e quase drag.”, disse ele na reportagem. No dia seguinte, tudo mudou. “Um dos meus chefes simplesmente chegou para mim e disse que não era condizente com ele, que aquilo não era bom para empresa, não era bom para a imagem”, conta o professor.

A reportagem era sobre um curso de drag queen, e Ailton era um dos alunos. Ele andou de salto alto, dançou, cantou. Ele era professor de logística em uma escola, no centro de São Vicente, litoral de São Paulo. Ficou dois anos e meio no emprego. Na segunda-feira depois da reportagem, recebeu o aviso do chefe, antes mesmo de chegar ao trabalho. “Ele falou abertamente: ‘você está demitido’”, diz conta. A carta de demissão diz que Ailton foi despedido “sem justa causa”, mas ele acha que o motivo está claro. “Sofri um ato homofóbico”, desabafa.

Por isso, o professor registrou um boletim de ocorrência por “injúria”. Contou à polícia que o patrão disse que ele era uma “mancha para sua empresa”. Ailton ficou apenas com o segundo emprego, em uma entidade que oferece cursos profissionalizantes de graça. O professor é homossexual assumido e alega que o agora ex-chefe sabia disso. “Eu não imaginava que fosse gerar essa polêmica toda”, se emociona Ailton.

Procuramos o dono da empresa. Ele conversou com nossa equipe, mas não quis gravar entrevista. Em uma nota, o advogado da escola contesta a versão de Ailton. Afirma que a empresa está “indignada com as inverdades mencionadas e que tomará medidas judiciais para proteger sua honra”. O ex-patrão de Ailton negou qualquer tipo de preconceito, disse que já vinha pensando em demitir o ex-funcionário, porque o rendimento dele estava caindo e que Ailton também estava faltando. Ele achou melhor fazer o desligamento, depois que Ailton não apareceu na escola durante dois dias, porque estava participando do curso de drag queen.

Repórter: Você faltava?

Ailton: O único dia que eu faltei, foi exatamente no Sábado de Aleluia. Na quinta-feira, eu havia deixado uma atividade.


Para a presidente da Comissão Nacional de Diversidade Sexual da Ordem dos Advogados do Brasil, demitir por causa de duas faltas é exagero. “Não houve nenhuma advertência e simplesmente a demissão? Dois dias de falta não ensejam a demissão desta forma como foi feito. Acho que isso fica evidenciado, que foi uma demissão causada por homofobia.”, afirma Maria Berenice Dias.  Chateados, os colegas do curso de drag queen mandaram recados para o ex-patrão de Ailton.

 “Agora você deveria conversar com o Ailton e trazer ele de volta. Faz isso que eu to te pedindo. Chama ele de volta que eu acho que vai ser melhor pra todo mundo.”

 “Eu aproveitaria o marketing que o Ailton teve, colocaria ele montado de drag na frente da loja. Eu garanto que ia ter muito mais público. Pensa nisso. Contrata ele agora como drag!”, sugere Zé Carlos Gomes, coordenador do curso .

Segundo a representante da OAB, Ailton pode pedir indenização por danos morais. Mas ele não se decidiu. “Eu não sei te dizer até que ponto a indenização é interessante. Eu só sei de uma coisa: preconceito não pode existir.”

Voltei

Se a tal lei tivesse sido aprovada, a chance de o ex-patrão de Ailton ir para a cadeia seria enorme. Dispensa “por homofobia” rende pena de 2 a 5 anos de reclusão. Caso o empregador seja acusado de não contratar alguém pela mesma a razão, a coisa é ainda pior: pena de três a cinco anos. No caso em questão, a lei nem existe, mas a sentença já está dada: pela reportagem do Fantástico — não há como negar — e pela representante da OAB, todos convertidos em juízes.

Aílton não tem dúvida de que foi vítima de homofobia, claro!, embora, vejam que fantástico (!), ele seja homossexual assumido e seu patrão soubesse disso. Assim, devemos entender que seu patrão “homofóbico” contratou um homossexual assumido. Entenderam???

Muito bem! Aílton diz que faltou ao emprego num dia e deixou de “cumprir uma atividade em outro”… Mas, se ele é gay e aparece na televisão se comportando como uma drag queen, é claro que só isso pode ter decidido a sua demissão. Temos, então, que um gay não poderá mais ser dispensado por incompetência, negligência, sei lá o quê. Será sempre homofobia. Fosse ele hétero e tivesse aparecido na TV como aluno de um curso para machões, aí não haveria como alegar preconceito.

Reitero: a lei nem foi aprovada, e já há gente sendo demonizada na televisão. Ademais, pergunto: uma escola — estou falando de “escola”, não de uma empresa da área de entretenimento — tem o direito de não querer uma drag queem como professora caso considere que isso a prejudica na disputa pelo mercado? Uma pré-escola pode decidir não contratar a Tia Swellen Wonderful — que, na verdade, é o Tio João Evangelista de Souza —porque isso deixaria as crianças um pouco confusas? Segundo a lei que querme aprovar, não! Cadeia! 

Essa é a mesma lei que poderia mandar para a cadeia um padre ou pastor que coibisse a expressão da “homoafetividade” dentro de uma igreja. Atenção! Se um líder religioso desse um pito num casal hétero que estivesse trocando um beijo de língua dentro do templo, a lei o protegeria. Afinal, nos seus domínios, cabe-lhe impor o padrão moral de sua crença. Caso fizesse o mesmo com parceiros gays, poderia ficar cinco anos trancafiado. E olhem que nem seria preciso dizer palavras duras: caso os parceiros gays se sentissem psicologicamente constrangidos — uma coisa, assim, subjetiva… —, já haveria motivos para a acusação de homofobia. O texto trata até do “constrangimento filosófico”, seja lá o que isso signifique.

O que quer essa gente? Que os empregadores comecem a ficar com receio de contratar gays, já que podem estar se expondo a uma futura acusação de homofobia?